Artigos

A cana-de-açucar e seu papel histórico

24 DE Abril de 2017

A cana-de-açúcar é uma planta brasileira, certo? Se pararmos para pensar, o único país que vem à cabeça como referência ao cultivo da cana é o Brasil. Nossos plantios são os maiores, o clima é o ideal e as exportações de todo o tipo de derivado da cana saem daqui: o etanol, a cachaça, açúcar, etc. Porém, a cana-de-açúcar veio de outro país: a Nova Guiné, na Ásia, além de também ser encontrada em regiões próximas do Pacífico.

A questão é que a cana-de-açúcar foi um grande alvo de disputas na época dos conquistadores, que a trouxeram para o Brasil e coincidentemente a planta encontrou o seu clima ideal. Mas antes disso, Alexandre, o Grande já sabia da existência da cana. Mais tarde, os árabes introduziram o cultivo da cana no Egito, em meados do século X. Inclusive, são os egípcios os creditados pelo processo de clarificação da cana em açúcar. Porém, o cultivo ainda não era o ideal e o clima devastava boa parte da plantação.

Antigamente, temperos e adoçantes como o açúcar eram exclusividade da nobreza da Europa. As negociações com o Oriente pela cana existiam, e o preço que se pagava pela cana era muito caro. Para se ter ideia, no século XVI, existem alguns registros de comercialização do açúcar que transformados na moeda de hoje seriam equivalentes a R$200/kg. Inclusive, os estoques de açúcar de um Rei eram adicionados em seu testamento. Realmente não era um produto para todos.

Mas aí, chega o mercantilismo e a exploração em busca de novas terras, o que – como todos nós sabemos – levou ao descobrimento da América. Cristovão Colombo era genro de um produtor de açúcar na Ilha da Madeira em Portugal, e introduziu o plantio da cana na América em 1493 onde hoje é a república dominicana. Porém, como o território do país era pequeno e o clima, apesar de chegar perto, não era o ideal, as plantações não surtiram em grandes colheitas. Lá ela ficou até os Espanhóis dominarem o Império Azteca e Inca e criarem espaço para a vinda da planta até o Brasil.

Aqui em nosso país, a planta chegou nas mãos de Martim Affonso de Souza, em 1532, segundo registros. Começou seu cultivo e foi o primeiro a construir um engenho de açúcar, mas foi no Nordestes que a planta encontrou o seu lugar ideal e aí os engenhos de açúcar se multiplicaram. Quando isso aconteceu, o Brasil passou a monopolizar a produção mundial de açúcar. A Europa começou a comprar e o país começou a prosperar, principalmente em cidades como Salvador e Olinda.

Pode-se dizer que a cana-de-açúcar foi o primeiro produto da agricultura a fazer com que a economia do Brasil se fortalecesse, afinal ela era vendida, ao contrário do Pau-Brasil que era apenas explorado pela coroa portuguesa, e apesar de fazer parte da economia, não revolucionou a agricultura no Brasil como a cana-de-açúcar fez. Hoje em dia, nosso país é, felizmente, uma enorme referência no cultivo da cana-de-açúcar. Que continue assim.

Veja Também

Política de Privacidade