De olho no solo

Conhecer a terra que se planta é o primeiro passo para o sucesso de uma produção agrícola. Para isso, é preciso fazer um estudo e entender tudo sobre o solo e qual a melhor forma de manejá-lo.

Esta é uma preocupação de todo agricultor que se planeja e busca tomar as melhores decisões. Assim como em outras áreas, a informação se torna uma grande aliada para garantir um amanhã mais fértil.

Para contribuir com essa missão, preparamos este conteúdo especial sobre um dos protagonistas mais importantes do agronegócio: o solo.

Neste artigo, vamos conhecer os tipos de solo encontrados no Brasil e entender quais cuidados devemos adotar para conservá-los e mantê-los produtivos. Afinal, o solo é um recurso natural não renovável e sustenta toda a produção agrícola.

Por que é importante fazer uma análise de solo?

Uma boa análise do solo fornece informações sobre suas características químicas, físicas e biológicas. Quando conhecemos a capacidade do solo de fornecer nutrientes às plantas, conseguimos minimizar impactos e manter a terra fértil para as próximas safras.

No agronegócio, o estudo e o manejo do solo contribuem diretamente para o aumento da produtividade. Como a expansão de novas áreas de cultivo costuma ser cara e, muitas vezes, inviável, precisamos otimizar os recursos disponíveis para produzir mais em uma mesma área.

Para garantir os melhores resultados, devemos realizar a análise previamente, pois ela desempenha um papel fundamental na tomada de decisões relacionadas ao manejo do solo. Dessa forma, o produtor investe de maneira mais consciente e evita desperdícios com ações que poderiam gerar poucos resultados.

A análise do solo também mantém uma relação direta com a sustentabilidade. Além de o solo ser um recurso não renovável, os recursos naturais que fornecem nutrientes essenciais, como as rochas fosfáticas e os minérios de potássio, também são finitos e não renováveis. Por isso, precisamos planejar cuidadosamente o uso dos fertilizantes para alcançar a máxima eficiência, reduzindo perdas e evitando desperdícios.

Tipos de solos brasileiros

Com sua grande extensão territorial e enorme variedade de recursos naturais, o Brasil possui um clima privilegiado, que proporciona excelentes condições para o cultivo e a produção de alimentos. Além disso, o país abriga diferentes tipos de solo, cada um com características específicas que precisam ser compreendidas para que possamos manejá-los com maior assertividade.

Nesse contexto, o sistema taxonômico oficial de classificação de solos do Brasil é o SiBCS (Sistema Brasileiro de Classificação de Solos), que organiza os solos com base em suas características morfológicas e genéticas.

Para isso, o sistema estabelece seis níveis categóricos distintos: 1º ordens, 2º subordens, 3º grandes grupos, 4º subgrupos, 5º famílias e 6º séries. Dessa forma, um solo classificado até o quarto nível categórico pode receber uma denominação como, por exemplo, Latossolo Vermelho Distroférrico húmico.

Considerando o primeiro nível categórico, correspondente às ordens, distinguimos 13 grandes classes de solos existentes no Brasil: Latossolos, Argissolos, Neossolos, Nitossolos, Cambissolos, Plintossolos, Gleissolos, Espodossolos, Vertissolos, Planossolos, Luvissolos, Organossolos e Chernossolos.

Entre essas classes, destacam-se os Latossolos, os Argissolos e os Neossolos, que predominam no território nacional e, consequentemente, respondem pela maior parte das áreas agricultáveis do país.

  • Latossolos: Apresentam horizonte B latossólico e, além disso, são solos muito intemperizados, sem incremento de argila em profundidade, com cores que variam de brunadas a avermelhadas ou amareladas. Da mesma forma, a textura varia de média a muito argilosa. Na fração argila, predominam a caulinita e os óxidos de ferro e alumínio, que, consequentemente, conferem valores de CTC menores ou iguais a 17 cmolc.kg⁻¹. Além disso, são solos típicos das regiões equatoriais e tropicais, encontrados em antigas superfícies de erosão, sedimentos e terraços fluviais antigos, normalmente sob relevo plano ou suavemente ondulado. Por fim, destacam-se como os solos mais representativos do Brasil, ocupando aproximadamente 39% da área total do país e distribuindo-se praticamente por todo o território nacional.
  • Argissolos: Identificam-se pelo maior teor de argila nos horizontes subsuperficiais em relação aos superficiais, característica que, por sua vez, forma um gradiente textural ao longo do perfil. Além disso, a cor pode variar de acinzentada a avermelhada. Na composição mineralógica, predominam argilas de baixa atividade (caulinita) e/ou óxidos que, consequentemente, contribuem para valores de CTC inferiores a 27 cmolc.kg⁻¹. Esse tipo de solo pode ser encontrado em praticamente todas as regiões brasileiras e, ainda, sob diversas condições de clima e relevo. Dessa forma, representa cerca de 24% da superfície brasileira, ocupando a segunda posição em extensão territorial.
  • Neossolos: São solos pouco evoluídos e com ausência de horizontes diagnósticos subsuperficiais, pela reduzida atuação dos processos de formação. São solos jovens, constituídos por material mineral ou por material orgânico com menos de 20 cm de espessura. Apresentam predomínio de características herdadas do material originário, o qual confere grande variabilidade entre as subordens. Representam aproximadamente 15% do território nacional, ocupando a terceira posição.
Como é feita a análise do solo?

Toda análise de solo começa com uma amostragem criteriosa, estratificada e representativa do lote. Para isso, é fundamental aumentar o número de pontos de coleta e dividir a área em zonas homogêneas, pois essas práticas tornam a amostragem mais fiel às condições reais do solo. Na sequência, enviamos as amostras para um laboratório, que realiza os dois principais tipos de análise: a física e a química.

FÍSICA: Também chamada de granulometria ou textura, ela avalia o tamanho das partículas do solo, classificando-as em:

  • Areia (entre 0,05 e 2 mm);
  • Silte (entre 0,002 e 0,05 mm) e
  • Argila (partículas menores que 0,002 mm).

Determinar a textura do solo é importante para entender o comportamento desse solo e o melhor manejo a ser adotado.

Solos considerados argilosos, são solos mais “pesados” e, geralmente apresentam maior capacidade de retenção de água e nutrientes, mas possuem baixa aeração e são mais susceptíveis à compactação. Por outro lado, solos arenosos, são mais “leves”, apresentam maior aeração e menor compactação, porém, não conseguem reter água e nutrientes tão bem.

QUÍMICA: Essa é a análise nutricional do solo, sendo fundamental para saber a real capacidade do solo em fornecer os nutrientes às plantas, descobrindo se existe alguma deficiência de nutrientes e assim planejar os próximos passos.

Confira um exemplo de análise química de solo e como interpretá-la:
  • pH (acidez ativa): é a quantidade de H+ presente na solução do solo;
  • MO: é a quantidade de matéria orgânica do solo, importante como indicativo do estoque de alguns nutrientes, como o nitrogênio por exemplo.
  • SB (Soma de bases): é a soma dos teores de cátions permutáveis no solo (Ca2+ + Mg2+ + K+).
  • CTC (Capacidade de Troca de Cátions): é a capacidade que um solo tem em reter nutrientes catiônicos. A CTC é o principal indicador da fertilidade do solo, quanto maior a CTC, maior a capacidade de reter e fornecer nutrientes.
  • V% (Saturação por bases): indica o quanto da CTC está sendo ocupada pelas bases (Ca2+ + Mg2+ + K+), é um fator determinante na tomada de decisão, para realizar ou não práticas corretivas.
  • m% (Saturação por alumínio): é o quanto de alumínio tóxico está presente na CTC. O alumínio é um dos principais limitantes no desenvolvimento de raiz, se a saturação estiver elevada, é necessário realizar práticas corretivas.

Sabendo de todas essas informações e tendo as análises físicas e químicas em mãos, a interpretação dos resultados deve ser realizada com base em parâmetros preestabelecidos pela pesquisa. E a pergunta principal é: Vale a pena fazer a análise do solo?

A verdade é que não existem razões para deixar essa prática de lado. Com um bom custo-benefício, a medida auxilia na tomada de decisão e na escolha dos fertilizantes, para um manejo cada vez mais assertivo e eficiente, otimizando os resultados e preservando as condições do solo.

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(Conteúdo: Eng. Agrônomo Ivan Arcanjo Mechi)

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