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USDA aponta consumo firme e estoques abaixo do esperado nos EUA

10 DE Maio de 2017

Soja: consumo firme e estoques mais baixos nos EUA

O relatório mensal de oferta e demanda divulgado hoje pelo USDA aumentou ligeiramente a previsão de exportação de soja dos EUA na safra 2016/17 (velha), em linha com os registros semanais de exportação, que seguem acelerados. Mesmo com um ajuste para baixo no esmagamento, o aumento de 700 mil toneladas na exportação foi suficiente para fazer a estimativa de estoques finais recuar dos 12,1 milhões de toneladas do relatório passado para 11,8 milhões. A relação estoque-consumo de 10,6% não é exatamente confortável, mas segue como a mais alta em dez anos.

Supersafra na América do Sul e consumo maior na China

Para a América do Sul, houve aumento da safra 2016/17 do Brasil, que passou de 111 milhões para 111,6 milhões de toneladas, e da Argentina, que subiu de 56 milhões para 57 milhões de toneladas. A produção do Paraguai também foi revisada para cima, passando de 10,1 milhões para 10,3 milhões de toneladas. Para a China, houve aumento na previsão de importação, que passou de 88 milhões para 89 milhões de toneladas.

Safra nova com linha de tendência – por enquanto

O USDA também divulgou hoje o primeiro quadro oficial de oferta e demanda da safra 2017/18. Para os EUA, não houve surpresas na produção, já que o relatório incorpora a previsão de área plantada de 31/mar e a linha de tendência de produtividade. Combinados, os números resultam em produção de 115,8 milhões de toneladas – abaixo dos 117,2 milhões de safra passada. Isso acontece porque, embora haja aumento de 2,4 milhões de hectares na área plantada, a linha de tendência de produtividade usada pelo USDA é 8% inferior ao recorde de 58,4 sacas por hectare colhido em 2016/17.

Consumo firme

A boa notícia para quem espera preços sustentados é que o consumo total veio sólido, em 115,3 milhões de toneladas – acima dos 114,4 milhões estimados preliminarmente no Outlook Forum de fevereiro e com crescimento anual de 3%. Com isso, os estoques finais de 2017/18 são estimados em 13,1 milhões de toneladas – mais que os 11,8 milhões de 2016/17, mas abaixo da expectativa média do mercado, que era de 15,6 milhões de toneladas.

Ainda cedo para a América do Sul

Para a safra 2017/18 da América do Sul, a estimativa preliminar do USDA, que ainda tende a mudar bastante nos próximos meses, aponta produção menor no Brasil (passaria de 111,6 milhões para 107 milhões de toneladas) e no Paraguai (10,3 milhões para 9,4 milhões de toneladas), e estável na Argentina (57 milhões de toneladas). Para a China, a expectativa é de importação de 93 milhões de toneladas.

Positivo ou negativo para os preços em Chicago?

Este relatório de maio do USDA não trouxe números capazes de mudar significativamente a influência do cenário de oferta e demanda sobre o mercado. De positivo há o consumo firme, com aumento das exportações dos EUA e das importações da China. De negativo, há o grande aumento de área dos EUA, mas ele já era estimado desde o início do ano. Caso a produtividade venha acima da linha de tendência com que o USDA trabalha atualmente, haverá crescimento da produção, o que é negativo para as cotações.

EUA  Oferta e Demanda de Soja

USDA/AGRURAL  Área em milhões de hectares, produtividade em sacas de 60 kg por hectare e demais itens em milhões de toneladas, exceto % e dias.

MUNDO  Oferta e Demanda de Soja

USDA/AGRURAL  Em milhões de toneladas, exceto % e dias.

Estoques de milho recuam nos EUA

Para o milho, o USDA aumentou ligeiramente o consumo total da temporada 2016/17 dos EUA (safra velha), o que resultou em leve queda na previsão dos estoques finais – na contramão da expectativa do mercado, que era de aumento.

Mais produção e exportação na América do Sul

Mas o destaque ficou por conta da América do Sul: o órgão elevou a produção total do Brasil no ciclo 2016/17 de 93,5 milhões para 96 milhões de toneladas e a da Argentina de 38,5 milhões para 40 milhões de toneladas. A estimativa de exportação de milho dos dois países em 2016/17, que já seria beneficiada pela produção menor dos EUA em 2017/18 (devido à diferença entre o ano-safra dos hemisférios Norte e Sul), subiu de 32 milhões para 34 milhões de toneladas para o Brasil e de 26 milhões para 27,5 milhões de toneladas para a Argentina. Vale lembrar, porém, que a exportação muito forte dos EUA em 2016/17 poderá limitar a demanda pelo milho sul-americano no segundo semestre de 2017.

Produção menor em 2017/18

Para 2017/18, o quadro de milho dos EUA também veio sem surpresas na produção, estimada em 357,3 milhões de toneladas – resultado da área menor estimada em 31/mar e da linha de tendência de produtividade. Com safra menor, o órgão reduziu o consumo, especialmente as vendas externas. As exportações cairiam dos 56,5 milhões de toneladas de 2016/17 para 47,6 milhões, abrindo espaço para o aumento das vendas 2016/17 da Argentina e do Brasil. Para a produção da América do Sul, os números preliminares de 2017/18 são bem parecidos com os de 2016/17: 95 milhões de toneladas no Brasil e 40 milhões na Argentina.

Positivo ou negativo para os preços em Chicago?

De um modo geral, o cenário de 2017/18 é mais positivo para o milho do que para a soja, devido à redução de área dos EUA. Mas, como o consumo do cereal não é tão dinâmico como o da soja (a China não importa milho), e como os estoques iniciais da temporada 2017/18 são bastante altos (o que limita o impacto da produção menor), o mercado precisará de ameaças climáticas mais sérias durante o desenvolvimento da safra americana para subir com mais força nos próximos meses.

EUA  Oferta e Demanda de Milho

USDA/AGRURAL  Área em milhões de hectares, produtividade em sacas de 60 kg por hectare e demais itens em milhões de toneladas, exceto % e dias.

MUNDO  Oferta e Demanda de Milho

USDA/AGRURAL  Em milhões de toneladas, exceto % e dias.

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