O consumo de fósforo no Brasil vem diminuindo ao longo dos últimos anos, impulsionado por vários fatores como custos mais elevados dos fertilizantes, redução da produção nacional, custos de produção atrelados ao enxofre, conflitos geopolíticos, ausência da China nas exportações e redução na oferta global, entre outros.
A título de exemplo, em 2021, o Brasil consumiu 6,57 milhões de toneladas de P₂O₅. Já em 2025, o consumo foi de 5,58 milhões de toneladas de P₂O₅ e, para 2026, é esperada mais uma redução, na ordem de 20% a 25% em relação ao ano passado.
É nítido, portanto, que temos um novo comportamento no consumo de P₂O₅: doses menores, motivadas por todos os fatores anteriormente mencionados e também pelas próprias características do nutriente, que permitem um manejo mais racional do fósforo no solo.
O fósforo é pouco móvel no solo e não apresenta grandes taxas de perda, como ocorre, por exemplo, com o nitrogênio e o potássio. O principal problema relacionado ao fósforo é sua fixação nas argilas e nos óxidos de ferro (Fe) e alumínio (Al). Esse processo é considerado uma forma de imobilização, tornando o nutriente temporariamente indisponível para as plantas.

Manejo do fósforo e a importância da análise de solo
Em solos já cultivados, bem corrigidos com calcário e gesso, com pH adequado, bons teores de matéria orgânica e níveis de fósforo considerados adequados, o problema relacionado à fixação tende a ser reduzido. Essas condições permitem redução nas doses de fósforo, sem grandes intercorrências na produção.
Para saber se o solo apresenta níveis adequados de fósforo, é necessário realizar a análise química do solo, interpretá-la corretamente e, a partir dos resultados, tomar a decisão sobre a adubação fosfatada.
Em solos abaixo do nível crítico, é necessário realizar a correção. Já em solos com níveis adequados de fósforo, deve-se aplicar, no mínimo, a dose referente à exportação do nutriente pela cultura, conforme as recomendações e tabelas técnicas.


As doses de fósforo vão voltar a aumentar?
No estado do Mato Grosso, por exemplo, um manejo muito característico era a aplicação de doses variando entre 90 e 120 kg de P₂O₅/ha. Essas doses, como mencionado, vêm sendo reduzidas nos últimos três anos.
Mas uma pergunta que muitos agricultores estão fazendo é: será que as doses de fósforo irão aumentar novamente ou seguirão em uso reduzido?
Isso dependerá muito do comportamento dos custos e das condições de mercado. Entretanto, o que se observa é que muitos agricultores estão realizando análises de solo para validar os níveis atuais de fósforo e, assim, tomar decisões mais precisas sobre a adubação.
A principal sinalização é que, em áreas de abertura ou em áreas que apresentarem deficiência de fósforo, as doses terão que aumentar para atender à necessidade de correção e construção da fertilidade do solo.
Já em áreas consolidadas, com estoques de fósforo construídos ao longo dos anos e níveis considerados adequados, a tendência é de continuidade no uso racional do nutriente, com a adubação baseada na exigência de exportação das culturas.
No caso da soja, por exemplo, pode-se considerar uma exportação de aproximadamente 15 kg de P₂O₅ por tonelada de grão produzido. Dessa forma, conhecer os níveis de fósforo disponíveis no solo e a quantidade exportada pela cultura torna-se cada vez mais importante para definir doses adequadas, evitar aplicações desnecessárias e manter a produtividade.
O futuro do manejo do fósforo
O cenário atual reforça a importância de uma adubação fosfatada mais racional e baseada em dados. A redução das doses exige maior conhecimento sobre a fertilidade do solo, os níveis de P₂O₅, a capacidade de retenção do nutriente e a real necessidade de cada área.
Nesse contexto, a análise de solo passa a ter papel ainda mais estratégico. Com informações confiáveis sobre níveis de fósforo e condições do solo, é possível ajustar as doses de fertilizantes às necessidades da cultura, considerando a correção de áreas deficientes e a manutenção dos estoques construídos ao longo dos anos.
Assim, o uso racional do fósforo tende a ganhar cada vez mais espaço, conciliando eficiência agronômica, produtividade e melhor aproveitamento dos fertilizantes.
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Conteúdo técnico: Engo. Agrônomo Ivan Arcanjo Mechi